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domingo, 23 de fevereiro de 2014

Os burricos, as mulas e os cavalos de Santorini


Era uma segunda-feira, 23 de setembro de 2013, eu já tinha andado muito pelas ruelas de Fira e no início da tarde ia fazer um passeio de barco para conhecer a cratera de um vulcão.
Estava no alto do penhasco e tinha três opções para descer até o porto: pegar o teleférico, descer os 588 degraus no lombo de um quadrúpede ou ir andando. O dia ensolarado e o calor intenso lembravam-me que a melhor opção seria o teleférico. Porém, não me agradava à ideia de perder a chance de descer todos aqueles degraus desfrutando da vista e possíveis descobertas no caminho. Sabia que a descida seria árdua, mas resolvi arriscar.
Com certeza precisaria de muita energia para chegar até o pé do penhasco. Então achei melhor almoçar primeiro num dos inúmeros restaurantes charmosos de Fira.
A comida estava saborosa e a vista que eu tinha da minha mesa era deslumbrante.
Logo que comecei a descer fui abordada por um garoto perguntando se eu não queria pagar apenas 5 Euros, cerca de R$17,00 para descer as escadas montada num burrico, numa mula ou num cavalo. Agradeci e disse que preferia ir andando.


O cheiro cítrico dos dejetos dos animais espalhados pelas escadas entrava nas minhas narinas e incomodava o estomago. Precisava desviar dos excrementos e da urina que escorria pelos degraus. A situação não era das melhores e eu era a única pessoa descendo a escadaria naquele momento.
 
 
Várias vezes olhei para traz na esperança que alguém estivesse vindo, mas não vinha ninguém.
Não tinha com quem dividir a experiência de andar por um caminho mal cheiroso e ao mesmo tempo tão lindo que me levaria ao encontro do mar azul lá embaixo.
Desci mais alguns degraus e me deparei com vários animais soltos na escada, não havia ninguém por ali. Como era hora do almoço imagino que as pessoas estivessem descansando em outro lugar.
Eu teria que passar entre os animais e logo um pensamento terrível tomou conta de mim: “e se eles se assustarem e me derem um coice?” Não tinha tempo para pensar na resposta para essa pergunta e segui andando como se estivesse passeando por um jardim, tamanha era a descontração que eu queria aparentar ou acreditar. Uma vez li um artigo que dizia que o instinto animal percebe se o ser humano está com medo ou não. Bem, não sei se tive a oportunidade de comprovar o estudo científico ou se as técnicas aprendidas há anos no curso de artes cênicas ainda estavam lapidadas.
Eu nem tinha me refeito totalmente do encontro a sós com tantos animais quando vi que alguns turistas subiam o penhasco no lombo dos burricos acompanhados de um guia. Eles pareciam não ter uma direção certa e eu me espremi contra as pedras do paredão para não ser pisoteada. As pessoas que galopavam tinham uma aparência assustada, imagino que tanto quanto a minha naquele momento.
 
Mais alguns minutos de descida e vi uma pequena árvore e três pessoas disputando sua sombra. Finalmente tinha encontrado alguém para compartilhar aqueles momentos. Eram três australianos que, como eu, se esforçavam para terminar a longa descida. Conversamos um pouco e eu decidi partir porque como ventava, o odor azedo e acentuado nos inundava.
Quando estava quase chegando ao final da escada, após cerca de 40 minutos descendo, encontrei com um casal de japoneses e pedi para me fotografarem. Já estava em paz com os burricos, mulas e cavalos e andava entre eles com a maior naturalidade.
No porto foi recebida pela brisa do mar e o ar puro que me fizeram ter certeza que não subiria aquela escada na volta do passeio.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Uma feira livre em Atenas



Andando pelas ruas de Plaka, o mais antigo bairro do centro histórico de Atenas, encontrei uma feira livre. Fazia sol na tarde do dia 17 de setembro de 2013 e o cheiro das azeitonas invadia todas as barracas daquelas ruas estreitas. Na Grécia existe cerca de 70 tipos de azeitonas e tive a oportunidade de provar pelo menos uma dúzia.
Nas lojas do centro da cidade assim como nas do aeroporto há azeitonas embaladas a vácuo, impossível resistir.
Comprei um saquinho de azeitonas e degustei aqui em São Paulo, eram muito saborosas, enquanto mordiscava aquelas azeitonas o pensamento voltou para a Grécia...
As frutas vendidas nas barraquinhas das praças são extremamente doces. Todos os dias eu me deliciava com as uvas, romãs, ameixas e pêssegos que eu tanto gosto.