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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

COOKIES da Audy


Áudiodescrição da foto: # pra cego ver # pra todos verem: Audy sentada, cabelos soltos, usando camiseta azul. Com a mão esquerda segura um prato com cookies e com a direita um cookie.
Criei uma receita de cookies, SEM AÇÚCAR, SEM GLÚTEN E SEM LACTOSE! Deliciosos! A ideia era fazer algo bem gostoso, especialmente para a minha mãe, que tem diabetes. O desafio era combinar ingredientes saudáveis, obter a devida textura para assar e, evidentemente, conseguir um ótimo sabor! O “experimento” foi um sucesso e por isso decidi compartilhar caso alguém tenha interesse em fazer. Antes de começar a fazer os cookies, selecionei os ingredientes e fotografei-os para não esquecer o “processo criativo” e as quantidades que iria usar.
Image may contain: food
Áudiodescrição da foto: # pra cego ver # pra todos verem: prato com castanha pecan, recipientes com aveia, coco, canela, melato, chia e quinoa. Três bananas com casca, um coco seco inteiro e a metade de outro com a parte branca a mostra.
Peguei 3 bananas bem maduras, amassei com um garfo e reservei. Em outro recipiente coloquei cerca de 200 gramas de aveia em pó e em flocos, uma colher de sopa de canela em pó, duas colheres de sopa de chia e duas colheres de sopa de quinoa hidratadas com água, 100 gramas de castanha pecan, metade de um coco seco ( coloquei no liquidificador o coco e a castanha pecan e bati até obter uma espécie de “farinha”). E para finalizar acrescentei uma colher de sopa de “Mel de Melato”. ( O melato, tem cor mais escura do que o mel e menos doce, tem um sabor único e marcante. É obtido a partir da seiva da bracatinga, árvore de origem brasileira, típica do planalto catarinense. A produção de Melato é praticamente toda exportada para a Alemanha e ainda pouco conhecido pelos brasileiros). Se você não tiver melato, use mel.”
Em seguida é só juntar todos os ingredientes e mexer bem. Com a ajuda de duas colheres de sopa, faça bolinhas e coloque em uma forma untada. “Amasse” as bolinhas com uma colher para ficar com a forma de cookies.
Leve ao forno pré-aquecido, temperatura 180 graus por 20 minutos.
Bon appetit!!


domingo, 17 de fevereiro de 2019

CHAPE homenageia as 71 vítimas aos 71 minutos


Áudiodescrição da foto:#para cego ver # para todos verem: Eu e a minha em pé na arquibancada abraçadas e sorrindo. Audy usa camisa da Chape e boné rosa com o logo da Chape verde da Torcida feminina " As divas da Chape". Ao fundo o campo de futebol.


Assistir a uma partida de futebol em um estádio sempre nos reserva emoções que jamais poderão ser sentidas se não for ali, dentro de um caldeirão, aquecido pela batida ritmada de tantos corações.
Áudiodescrição da foto:#para cego ver # para todos verem: Jogadores da Chape, do Figueirense e os quatro árbitros enfileirados lado a lado e em pé durante a execução do Hino Nacional. Algumas crianças vestidas de branco em frente aos jogadores da Chape. O uniforme da Chape é camisa e calção verde claro com detalhes dos patrocinadores em branco. O Figueirense usa uniforme todo branco com inscrições em preto. Os árbitros usam camisa vermelha, calção preto e meias vermelhas. 
Ontem, 16 de fevereiro de 2019, pela primeira vez entrei na Arena Condá, em Chapecó. Na disputa da 8º. rodada estava em jogo a liderança do Campeonato Catarinense. O duelo era entre a Chapecoense X Figueirense ou Chape x Figueira ou ainda VERDÃO X FURACÃO, como os times são carinhosamente chamados pelas suas torcidas.   
Para mim, um privilégio enorme poder assistir a um jogo da CHAPE na Arena Condá, acompanhada pela minha mãe que, com quase 70 anos, fazia a sua estreia em um estádio.
Diferente de todos os outros estádios que conheço, a Arena Condá guarda consigo um carinho no ar, um sentimento de amor e GRATIDÃO que abraça e envolve no aconchego de tantas memórias de alegrias e de saudades que estão estampadas em cada torcedor.
Aos 71 minutos do jogo fui surpreendida por uma música que fez o estádio ecoar. O jogo seguia normalmente quando todos os torcedores se levantaram, começaram a aplaudir e a cantar juntos VAMO VAMO CHAPE! O coro assim continuou por um minuto para homenagear as 71 vítimas do acidente com o avião da CHAPE que aconteceu em 2016 na Colômbia.
Olhei para os torcedores chapecoenses em minha volta e muitos estavam com os olhos marejados. O grito VAMO VAMO CHAPE saia engasgado e parecia que a alegria, por um instante, se escondera atrás da dor que vinha à baila daqueles corações apaixonados pela sua CHAPE. Era um sentimento tão forte e verdadeiro que não consegui conter uma lágrima solitária, feito bola num drible perfeito, que escorregou pelo meu rosto...
Naquele momento vivenciei uma das maiores demonstrações de AMOR por um time de futebol que nenhuma reportagem ou texto é capaz de traduzir. 
Esta homenagem às vítimas do acidente com o vôo 2933 da Lamia acontece em todos os jogos da CHAPE na Arena Condá.   
O jogo terminou 0 x 0 . Não teve a explosão de alegria do grito do gol, mas para mim, o VAMO VAMO CHAPE que ouvi sem esperar, foi maior do que a comemoração de qualquer gol.

Sou catarinense, torcedora do tricolor, do meu São Paulo... mas preciso confessar que ontem a CHAPE, feito uma posseira, tomou conta do meu coração.  
Alan Ruschel faz aquecimento 
Áudiodescrição da foto:#para cego ver # para todos verem: Seis jogadores reserva da Chape fazem aquecimento na lateral do campo. O primeiro do lado esquerdo da foto é o Alan Ruschel, sobrevivente do acidente com o avião da Chapecoense no dia 28 de novembro de 2016 na Colômbia.
Áudiodescrição da foto:#para cego ver # para todos verem: memorial feito em uma das laterais da arquibancada que foi pintada na cor verde com uma bola grande na rede de um gol estilizado. Imagem de 11 jogadores representando movimentos com a bola. Na base da arquibancada, uma faixa verde escuro sob a qual está escrito com letras grandes em branco: CHAPECOENSE CAMPEÃ COPA SULAMERICANA 2016.      
Áudiodescrição da foto:#para cego ver # para todos verem: painel branco escrito em verde escuro: 
GOL ETERNO - 1. Danilo, 2. Gimenez, 4. Neto, 27. Thiego, 6. Dener, 5. Josimar, 8.Gil, 20. Cleber Santana, 17.Thiaguinho, 11.Ananias, 25.Kemps, 24.Folmann, 21. Caramelo, 13. Marcelo, 15.Felipe Machado, 28.Alan Ruschel, 18.Matheus Biteco, 26.Sérgio Manoel, 19.Arthur Maia, 23.Lucas Gomes, 9.Bruno Rangel, 22.Ailton Canela. Técnico: Caio Júnior. Marcelo Boeck, Nivaldo, Demerson, Rafael Lima, Cláudio Winick, Moisés Ribeiro, Lucas Mineiro, Nenem, Hygran, Martinuco, Laurecy.
Arte: Paulo Consentino
Áudiodescrição da foto:#para cego ver # para todos verem: Audy e sua mãe abraçadas e sorridentes do lado direito da foto. Ao fundo  memorial da Chape pintado na lateral da arquibancada.
Áudiodescrição da foto:#para cego ver # para todos verem: estátua de um índio em pé, com a mão direita espalmada e o o braço erguido para o alto. Na mão esquerda um objeto com formato de cruz. Cocar verde e amarelo com a inscrição CHAPE BRASIL. Rosto com pinturas verde, amarelo azul e branco. Camiseta verde, uniforme oficial da Chape com o logo no peito e abaixo escrito Série A 2018. Calção branco, meias brancas e chuteira verde. Do lado esquerdo da foto Audy em pé, sorridente segura uma sombrinha floreada. Usa camiseta preta com colete rendado laranja sobreposto, saia longa preta com barreado florido. Dia cinzento e chuvoso. 

sábado, 27 de outubro de 2018

Quando a calçada é a sua morada...


Descrição da foto:# para todos verem: rosto de Audy e Ton sorridentes em uma lanchonete. Entre eles a mão da Audy  segura uma flor de papel branca feita com guardanapo pelo Ton.

Passei uma noite inteira nas ruas de Campinas conversando com pessoas que moram nas ruas. Projeto ENTREGA! 
Muito mais do que entregar alimentos, roupas e cobertores, é entregar AMOR E CARINHO para quem tem a calçada como morada. Ao longo dos anos já participei de inúmeras ações para ajudar pessoas carentes com câncer, HIV, hidrocefalia, fiz muitos trabalhos voluntários em favelas, orfanatos, casas abrigo, hospitais, creches, asilos... mas nunca tinha virado a noite numa calçada ouvindo histórias, ganhando abraços e sorrisos de pessoas que na calada da madrugada deixam de ser invisíveis para serem acordadas e receberem afeto.
O convite veio do meu amigo Ton Oliver que há muito tempo participa do Projeto ENTREGA e sempre escreve posts no facebook sobre suas vivências.
Ton é psicólogo, um rapaz muito humano, inteligente, agradável e cego. Nos conhecemos há quase duas décadas, perdemos contato por algum tempo e felizmente nos reencontramos. 
Ao aceitar o convite, falei para o Ton que fazia questão que toda a logística da noite fosse dele, uma vez que ele iria me guiar desde a saída de São Paulo até o nosso retorno na manhã seguinte.
Então logo o Ton me disse que iríamos para Campinas de carona compartilhada pelo aplicativo Blablacar. Eu não conhecia o aplicativo e nunca tinha viajado desta forma, mas é claro que aceitei de imediato. O nosso ponto de encontro foi na estação do Metrô Conceição às 19h30 da sexta-feira 28 de setembro de 2018. Como cheguei bem mais cedo, mandei uma mensagem para o Ton que me enviou as coordenadas da lanchonete onde ele estava e fui encontra-lo. Enquanto tomávamos um café, o Ton fez uma flor com o guardanapo e me presenteou.
Em seguida fomos para o nosso ponto de encontro, em frente a um chafariz, onde o motorista Caio iria nos encontrar. Esperamos alguns minutos e logo o Caio chegou. No carro havia mais dois rapazes, Thiago e Otávio, muito simpáticos, e, assim como o Caio, também eram estudantes da UNICAMP. O aplicativo blablacar não visa lucro e sim ajuda de custos da viagem. Então cada passageiro pagou R$20,00 pela “carona” até as proximidades da UNICAMP. Uma viagem tranquila e animada, como se todos já se conhecessem.
Chegando em Campinas eu e o Ton pegamos um UBER até o estacionamento do Bosque dos Jequitibás. Já passava das 22h00 quando chegamos lá e, para a minha surpresa, havia muitos carros e mais de 80 pessoas, a grande maioria eram moças e rapazes universitários. Todos sorridentes e visivelmente felizes por estarem ali.
As doações estavam separadas por produtos e para montar 220 kits não demoramos nem 10 minutos. No início da fila pegávamos uma sacola plástica e seguíamos com ela aberta enquanto as outras pessoas colocavam dentro: papel higiênico, garrafa de água, sabonete, preservativo, biscoitos doce e salgado, pipoca, sanduíche, creme dental e escova e um par de meias. No final dávamos um nó na sacola, colocávamos no chão e voltávamos para fila para pegar mais uma sacola e encher.
Recebemos informações sobre o propósito do Projeto ENTREGA e orientações para não fotografar as pessoas e ficarmos sempre juntos em cada parada. O grande grupo foi dividido em três rotas, cada rota tinha cerca de 10 carros que saíram em comboios. Alguns carros transportavam também cobertores, roupas feminina e masculina e calçados. 
Eu estava na rota 1 com o Ton. Em cada parada, ficávamos cerca de 40 minutos conversando com as pessoas que moram nas calçadas. Muitas delas vivem há anos nestas condições e já são conhecidos dos voluntários do ENTREGA. Meu amigo Ton é muito querido pelas pessoas que moram nas ruas, e em todos os lugares que paramos ele era festejado e abraçado pelas pessoas. Ao ser apresentada como amiga do Ton, eu já recebia um sorriso largo, às vezes um abraço, outras um aperto de mão.
Nesta noite que passei sentada em calçadas mal cuidadas e pouco limpas, ouvi desabafos, confidências, vi pessoas sem esperança, gente sofrida, vi brotar lágrimas e sorrisos, vi a força de um senhor que vive há 14 anos nas ruas e ainda assim consegue expressar alegria, fiquei sabendo de romances, de pessoas que saíram da rua e de outras que foram embora deste mundo... mas também presencie cenas de amor verdadeiro, de ENTREGA total.
Em uma calçada, entre tantos moradores de rua estava Lucimar, a Lu, que ficou muito feliz com a nossa chegada. Ton e eu sentamos no chão, muito perto da Lu, que segurava apertado as nossas mãos. Ela tinha apenas um cobertor muito sujo e uma garrafa com um pouco de cachaça. Seus pés descalços com marcas profundas na pele calejada, suas roupas surradas e com um odor forte não conseguiam esconder os traços de uma linda mulher, por volta dos 40 anos, acredito, que se esforçava, entre lágrimas e soluços, para contar para o Ton que ela havia ficado cega de um olho e só lhe restava um pouco da visão do outro. Dizia em voz alta e trêmula: “ Ton, agora eu sou como você”. Neste momento meu amigo a abraçou demoradamente e, num gesto de carinho profundo acomodou a cabeça da Lu no seu colo e a acariciou.... além das palavras de conforto, havia um amor genuíno, uma vontade de ajudar que ia muito além do que os meus olhos podiam ver. 
Depois de algum tempo começamos a conversar sobre a família e os filhos da Lu... em meio a tantas memórias sugeri cantarmos uma música alegre, afinal cantar sempre alegra a alma. Juntos cantamos músicas do Raul Seixas e do Tim Maia que a Lu escolheu e logo esboçou um sorriso leve... as pessoas da nossa equipe deram para ela um par de chinelos novos, roupas íntimas e uma camiseta. Ficamos ali quase uma hora. No momento da despedida mais abraços e a certeza de que aquele encontro tinha sido marcado pelo aconchego e pela ternura.
E assim seguiram-se outros tantos encontros, conversas, entregas dos kits, das roupas, dos cobertores e muito carinho até quase o dia clarear. 
Por volta das 4h00 da manhã, todos os participantes das três rotas se encontraram em frente à Catedral Metropolitana de Campinas para finalizar as entregas. 
No início da manhã, eu e o Ton pegamos um ônibus para retornar. Chegamos em São Paulo por volta das 7h00. 
Apesar do cansaço, trouxe comigo vivências extraordinárias e a certeza de que em um abraço dois corações batem juntos no mesmo compasso.
Obrigada Ton por me apresentar tantas pessoas abraçáveis, como você diz!


sábado, 29 de setembro de 2018

Doando Mechas com Amor



Entre as muitas atividades da Programação da Unibes Cultural do Dia Sem Pressa, 22/09/2018, contribui com Instituto Amor em Mechas e doei uma mecha do meu cabelo.
As mechas de cabelo devem ter no mínimo 15 cm de comprimento e serão utilizadas para fazer perucas. As perucas são doadas para mulheres com câncer juntamente com os cartões escritos pelas doadoras. 
Uma iniciativa muito importante que transforma vidas. Seja você também uma doada de mechas de cabelohttps://amoremmechas.com/
                           Com as minhas amigas Maria Luiza Brancia e Zilda Procedino

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Visitando pacientes do Instituto do Coração


No dia 25 de novembro de 2017 passei a manhã trabalhando como voluntária no Instituto do Coração que pertence ao Hospital das Clínicas em São Paulo. O prédio é gigantesco, são 535 leitos distribuídos em sete alas de internação, 60 consultórios médicos. O InCor realiza em média, por ano, 5 mil cirurgias, 260 mil consultas médicas, 2 milhões de exames de análises clínicas, 330 mil exames de diagnóstico de alta complexidade e é referência mundial no tratamento de doenças cardíacas. Foi o primeiro hospital na América Latina a fazer um transplante de coração.
Visitei a ala do SUS do sétimo andar do hospital, que tem cerca de 100 leitos e abriga pessoas que aguardam por um transplante de coração e outras transplantadas.

À espera de um coração pode ser longa, muito longa.... no entanto, presenciei um momento que jamais vou me esquecer. Tinha acabado de entrar em quarto no qual havia duas mulheres. Carmenlisa é mineira, está internada há 7 meses, seu coração já bate com dificuldades... ao lado dela um médico jovem segurava sua mão, havia uma comoção no ar e ela chorava e sorria. 
Eu não entendia o que estava acontecendo... 
Em seguida entraram mais 4 médicos e algumas enfermeiras, todos se abraçando, sorrindo, comemorando e alguns chorando... tinham acabado de receber os resultados de alguns exames e o coração de um doador era compatível com Carmenlisa. A longa espera havia chegado ao fim... na cama muitas fotos do filho de 1 ano e 8 meses que ela não vê há 7 meses. Entre sorrisos e soluços ela perguntava para os médicos se seria capaz de segurar no colo o filho outra vez, se ia dar tudo certo com o transplante... A alegria da Carmenlisa contagiava assim como a incerteza que a fazia chorar.


Por alguns instantes pensei na família do doador, que, em meio a sua dor, talvez nunca saberão exatamente a dimensão do seu gesto de amor... o coração de alguém que partiu e agora continuará batendo e dando a chance de Carmenlise voltar a abraçar o seu filhinho. O bebê está em Minas Gerais, numa cidadezinha que fica a quase 20 horas de viagem de São Paulo...
Na cama ao lado, Beatriz, 23 anos, tentava esboçar um sorriso. Fui conversar com ela. Emocionada com a notícia que a colega de quarto tinha acabado de receber, me contou que tem um filho de 6 e outro de 3 anos, é de Araraquara, interior de São Paulo, e há um mês está internada aguardando por um doador. Nunca recebe visitas porque seus familiares estão distantes e não podem arcar com os custos da viagem.
Ouvi muitas pessoas que acabaram de passar por um transplante e outras tantas que aguardam por uma doação de um coração... foi uma manhã de muito aprendizado...

Fui convidada para ser voluntária pela Dona Loydes, uma senhora que tem 95 anos e mora no mesmo condomínio que eu. Ela é voluntária há anos no Instituto do Coração. A minha atuação foi ajudá-la a visitar os pacientes e convidá-los para participarem de uma oração na capela. Para algumas pessoas foi uma alegria enorme sair da cama e ir para outro andar mesmo que numa cadeira de rodas. 

Uma senhora ficou tão feliz que me pediu um abraço... e é no abraço que os corações se encontram...

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

A volta ao Cafezal

O primeiro piloto do projeto AMPLIANDO HORIZONTES – Experiências Sensoriais no Turismo para Pessoas Cegas e de baixa visão foi no dia 11 de junho de 2016. http://audmara.blogspot.com.br/2016/08/meu-projeto-ampliando-horizontes.html
A repercussão positiva na mídia do piloto em função do trabalho da jornalista Mari Carla Giro da MR Comunicação Estratégica que é assessoria de imprensa da Fresp despertou o interesse da FOLHA de São Paulo em publicar um artigo sobre o projeto.
No dia 15 de julho de 2016, eu estava participando do Primeiro Congresso Brasileiro de Turismo Industrial em São Bernardo do Campo, no qual tive a oportunidade de expor o projeto, quando fui consultada sobre a possibilidade de repetir o passeio para que o mesmo fosse acompanhado por um jornalista e um fotógrafo da FOLHA de São Paulo. O roteiro sensorial, teria o patrocínio da Fresp e apoio da agência de viagem Rizzatour.

A alegria foi imensa naquele momento e aceitei de pronto mesmo sabendo que teria pouco tempo para organizar o passeio. O meu curso de Guia de Turismo terminaria no dia 04 de agosto de 2016 e naquela data eu teria que apresentar a defesa do projeto integrador. Além disso tinha algumas aulas aos domingos em Museus e uma viagem técnica do curso para Curitiba no final de julho.
A primeira providência foi consultar o Jefferson Adorno, proprietário da Fazenda Retiro Santo Antônio, para saber se havia a possibilidade de voltar ao cafezal com o grupo. Como a colheita do café estava próxima do final, a única data possível para a visita era dia 30 de julho. Conversei com o Heitor Palermo Júnior, da Cafeteria Loretto, que também concordou em receber novamente o grupo e fazer a torra, moagem e degustação do café.
Entrei em contato com todas as pessoas que tinham participado do primeiro piloto para convidá-las para repetir a experiência. Algumas pessoas não podiam viajar naquela data, outras indicaram amigos, pois tinham gostado muito da viagem e preferiram disponibilizar seus lugares para que outras pessoas também tivessem aquela vivência. Então foi preciso uma semana inteira para definir o grupo. Eu não conhecia muitos dos viajantes e não teria tempo para encontra-los antes do passeio. Confesso que estava apreensiva, pois temia que no dia do passeio alguém do grupo não estivesse na catraca do metrô ás 6h30 da manhã conforme o combinado.

Embora eu já tivesse executado o roteiro anteriormente, o que me dava uma certa segurança, ainda assim não tinha garantia que tudo sairia de acordo com o planejado.

Dois dias antes da data do passeio, fui informada que o jornalista que escreve para o Caderno de Turismo da Folha de São Paulo não poderia viajar conosco. Em seu lugar iria um jornalista da área de empreendedorismo que escreve para o Caderno de Mercado. A cobertura jornalística do passeio seria feita pelo jornalista Filipe Oliveira, que é baixa visão. Na ocasião o Filipe perguntou se poderia viajar acompanhado da sua namorada que é cega. É claro que eu concordei e fiquei muito feliz com uma nova integrante no grupo. Entretanto, por alguma razão, eu tinha a impressão que a responsabilidade em relação a execução do passeio havia aumentado.
A Dra. Regina Rocha de Souza Pinto, diretora-executiva da Fresp participou do passeio acompanhada da filha e de sua secretária, Juliana Santos e da jornalista Mari Carla Giro.
Os proprietários da agência de viagem Rizzatour, José Luiz e Fátima Rizzato, vieram para São Paulo e acompanharam o grupo desde o início do passeio.

O roteiro sensorial, uma vez mais, foi bem-sucedido e resultou em uma matéria de capa do caderno de Turismo da Folha de São Paulo. A seguir link da versão online da matéria. 

GRATIDÃO a todos os participantes e apoiadores do projeto. Muito obrigada ao Jefferson Adorno da Fazenda Retiro Santo Antônio e ao Heitor Palermo Júnior, Diogo Silva e Gilberto Flores da Cafeteria Loretto.

Grupo de viajantes:

Adeildo Morais Silva
Antônio Carlos Barqueiro
Ana Lucia Benevides Pereira
Cláudio Teixeira
José Dílson Pereira dos Santos
José Luiz Rizzato
Keylla Priscila Pereira Narvais
Maria Regina Marques Lopes Silva
Marcela Mahayana Trinanes Zednik
Maurício dos Santos Moura
Orion Norberto Santos
Roselene de Souza Celoto
Rosângela Ribeiro Mucci Barqueiro
Sidney Tobias de Souza
Sidnei Silvestre da Silva 
Teresa Fatima Doro Rizzato
Vitor Daniel Tessutti

Jornalistas: 
Filipe Oliveira e Mari Carlo Giro
Fotógrafo:
Avner Prado

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Meu projeto: AMPLIANDO HORIZONTES

"A imagem desta capa é composta quase totalmente por um lindo céu azul. Na aviação costumam chamar-lhe "céu de brigadeiro", um céu totalmente isento de nuvens. Talvez a melhor tradução seja a de um enorme e liso manto azul recobrindo a tudo que se possa imaginar. Logo abaixo encontram-se diversas formações rochosas, com seus picos e formas irregulares. Uma a umas essas montanhas se distanciam, parecendo competir para determinar qual delas pode alcançar o horizonte e tocar o céu azul.
No primeiro plano, na base da imagem, do lado esquerdo, na formação rochosa mais próxima, encontramos a silhueta de um homem de costas. Porte atlético, postura ereta, este homem está a contemplar a arrebatadora magnitude da paisagem a sua frente. Em sua mão, a bengala demonstra duas coisas. 
Uma: este homem possui uma deficiência visual. Duas: nada é capaz de deter uma alma inquieta e
determinada."

Criação e descrição da capa
 Augusto da Silva Júnior - Restaurador e publicitário

A cada 5 segundos, uma pessoa fica cega no mundo”. (OMS)


Em 2013 havia 246 milhões de pessoas com deficiência visual e 39 milhões de pessoas cegas no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 80% dos problemas de visão podem ser evitados ou curados.
No Brasil, há mais de 6 milhões de pessoas com deficiência visual, sendo 582 mil cegas de acordo com os dados do Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O direito ao lazer é assegurado pelo artigo 6º. da Constituição Federal de 88.


Quando comecei a fazer o Curso Técnico em Guia de Turismo do SENAC, em agosto de 2015, logo nas primeiras aulas nos foi apresentado o Projeto Integrador que deveria ser apresentado na conclusão do curso.
O projeto deveria ser desenvolvido levando em conta um tripé que era: inovação, sustentabilidade e a importância da função do Guia de Turismo.

Há mais de uma década trabalhando como voluntária da ONG Grupo Terra que visa a inclusão de pessoas com deficiência visual através do esporte, lazer e cultura, fez com que eu repensasse o meu jeito de olhar o mundo. O aprendizado contínuo nas trocas de experiências me levou, aos poucos, a começar a participar de uma atividade esportiva até então desconhecida para mim: corridas de rua. No projeto Caminhantes da ONG Grupo Terra, as pessoas com deficiência visual estavam treinando e participando de corridas de rua, mas para isso precisavam de voluntários para correr juntos. 

Então comecei a treinar e a melhorar o meu condicionamento físico e me tornei corredora para ter condições de guiar pessoas cegas em corridas de rua. Corri muitas vezes guiando, outras vezes sozinha. Aprendi a correr no ritmo de quem eu guiava, a ouvir sua respiração, sua passada, a descrever os lugares por onde passávamos quando me sobrava fôlego para tal. A cada linha de chegada cruzada, a certeza que a superação e a alegria era minha e da pessoa que eu tinha guiado naquela corrida.

Passei então a participar de grandes corridas, corri três vezes a Corrida de São Silvestre (15 km) em São Paulo, Volta da Pampulha (18 km) em Belo Horizonte, Meia Maratona (21 km) do Rio de Janeiro e a “La Grand-Classique”,(16 km) em Paris, uma corrida com largada em frente a Torre Eiffel e chegada no Palácio de Versalhes. E assim fui fazendo novos amigos no universo dos corredores que, apesar de ser um esporte solitário, tanto aproxima as pessoas.

A escassez de passeios sensoriais no mercado de turismo brasileiro me fez perceber que poderia desenvolver um projeto aliando um produto inovador a um nicho de mercado que é pouco explorado pelo trade. As pessoas com deficiência visual atuam no mercado de trabalho e são consumidores de bens de serviço e lazer. Porém, comumente esse público tem seu potencial de viagens e passeios restringido já que não é oferecido roteiros sensoriais, nem um serviço de guiamento especializado capaz de atender suas necessidades. No Brasil ainda não existe nenhum segmento do turismo plenamente desenvolvido para atender pessoas com deficiência visual.

Então percebi que ali residia a oportunidade de desenvolver roteiros sensoriais desenhados especialmente para pessoas cegas e de baixa visão que viajam acompanhadas de pessoas que enxergam. A experiência é igualmente memorável para ambos os públicos, pois quem não enxerga fará uso dos outros sentidos para sentir e entender o local que será visitado. A audiodescrição é muito importante para um melhor entendimento. As pessoas que enxergam, além de auxiliarem no guiamento e descreverem o entorno, terão uma experiência baseada nos outros sentidos e não apenas a visão. O convívio durante um passeio ou viagem promove a inclusão de forma natural, uma vez que o turismo e o esporte são atividades altamente inclusivas. 

Nascia assim o meu projeto AMPLIANDO HORIZONTES – Experiências Sensoriais no Turismo para Pessoas Cegas e de Baixa Visão.



A identidade do projeto foi criada pelo meu amigo Augusto da Silva Júnior. Minha solicitação foi muito simples: queria a imagem de um viajante e que as cores predominantes fossem tons de azul, em especial o azul do céu, das cúpulas das igrejas de Santorini e do mar que banha a Grécia que tanto me fascina.  Quando recebi a identidade acima, no início deste artigo, fiz uma pequena alteração no posicionamento da bengala e nada mais. O Augusto havia sintetizado a essência do projeto e o que eu tinha pedido.
Achei que a melhor descrição da imagem só poderia ser feita por ele.

A minha inquietação inicial era tentar encontrar uma resposta ou razões que justificassem não haver serviços especializados para pessoas com deficiência visual. Queria entender também o porquê das agências de viagem não oferecerem pacotes para este público. Ampliei as minhas pesquisas para saber o que outros países ofereciam e encontrei alguns passeios organizados na França e Espanha. Na Inglaterra encontrei a primeira agência de viagem do mundo fundada por uma pessoa cega e que promove viagens para pessoas com deficiência visual acompanhadas de pessoas que enxergam:http://traveleyes-international.com . Então á medida que fui me aprofundando nas pesquisas percebi que se fosse capaz de encontrar respostas "satisfatórias" para as minhas perguntas, provavelmente não iria contribuir substancialmente para a mudança deste quadro.

Foi por isso que decidi fazer o inverso, ou seja, ao invés de procurar saber o porquê de não ser oferecido roteiros sensoriais, resolvi desenvolver um roteiro, executá-lo e assim comprovar a viabilidade do mesmo.

Na minha condição de aluna poderia me valer da não obrigação de acertar, do fato de não ter um orçamento para limitar minhas ideias, e também o conforto de não sofrer nenhum tipo de pressão em relação ao conteúdo do Projeto Integrador que iria apresentar no final do curso. Então esta liberdade para trabalhar era proporcional a responsabilidade e a qualidade do que eu deveria entregar, no meu entender. Tinha uma equipe de professores e coordenadores para me orientarem quando fosse necessário.

Nas aulas do Prof. Davi Moreno aprendi conceitos que nortearam toda a minha pesquisa e desenvolvimento deste projeto.
Sou graduada pela Universidade Mackenzie e Pós-Graduada pela PUC-São Paulo. Porém, foi preciso fazer um curso técnico em Guia de Turismo no SENAC para aprender que:

"Quanto mais cedo se erra, mais cedo se aprende" - Aprender com os erros.
"Comece pequeno, pense grande, ande rápido" 
" Aprender a aprender"
" Aprender com as mãos"
" Design Thinking " uma outra forma de se pensar para se encontrar soluções.

Eu não tinha um destino definido para o meu projeto até participar da feira de turismo World Travel Market no final de março de 2016. Conversando com várias pessoas e verificando possíveis destinos, Espírito Santo do Pinhal, um polo cafeeiro a 200 km da cidade de São Paulo, parecia ser apropriado para um roteiro sensorial.
Viajei para a cidade no dia 16 de abril de 2016. Conheci o gerente da Cafeteria Loretto, Heitor Palermo Júnior, que se dispôs a receber o grupo na Cafeteria e fazer a torra, moagem dos grãos assim como uma degustação para o grupo gratuitamente. Nenhum dos colaboradores da Cafeteria Loretto havia tido contato com pessoas com deficiência visual. Seria uma experiência singular para todos. Percebi de imediato que o Júnior, uma pessoa extremamente generosa, queria muito ajudar no desenvolvimento do meu projeto e, principalmente, estava feliz com a possibilidade de receber as pessoas. 
Além disso o Júnior fez questão de me apresentar o café Kaynã, produzido na região, que tem na sua embalagem sustentável informações em braile e parte dos lucros da venda do café são revertidos para a Fundação Dorina Nowill para cegos.
Na Fazenda Retiro Santo Antônio, onde o café Kaynã é produzido, conheci o Jefferson Adorno, proprietário da Fazenda e premiado cafeicultor que literalmente abriu as porteiras da Fazenda para o meu projeto. Grupos de estudantes universitários são recebidos na Fazenda para visitação. Entretanto, nunca havia sido visitada por pessoas com deficiência visual.

Voltei para São Paulo com o esboço do roteiro em mente. Queria fazer um passeio o mais próximo possível do que imaginava que poderia vir a ser comercializado futuramente por uma agencia de viagem. Precisava então articular parcerias, convidar pessoas para formar o grupo que participaria do piloto do projeto e estruturar o passeio agendado para o dia 11 de junho de 2016. O prazo era curto, menos de dois meses para fazer tudo. Neste período tinha também outros trabalhos do curso incluindo uma visita técnica em Santos.

Fiz uma lista de prioridades do que teria que executar em ordem de complexidade e custo. No topo da pirâmide estava o transporte. Eu precisava fretar um micro-ônibus para levar o grupo para Espírito Santo do Pinhal, viagem de ida e volta: 400 km e um custo alto também em função dos muitos pedágios, principalmente na Rodovia dos Bandeirantes.

Minha providência foi enviar um e-mail para os coordenadores e professores do SENAC pedindo auxílio. Num primeiro momento me foi dito que não poderiam atender a minha demanda. Então parti para outras alternativas, tinha que conseguir um patrocínio e, se não fosse possível, na pior das hipóteses, eu mesma faria um esforço para bancar o custo do projeto, pois acreditava no que estava fazendo e sabia que tinha potencial.

Meu professor Fábio Ortolano, sempre disposto a me ajudar, negociou com uma empresa de ônibus e obteve um desconto, porém o valor final ainda era considerável.
Conversando com outras pessoas fui apresentada para a Sra. Mônica Rocha da Silva Delgado, diretora da A.S Transportes que apoiou o projeto. Tentei fazer uma parceria com o Banco Citibank que emprega um grande número de pessoas com deficiência. Como não tive sucesso num primeiro momento, contatei uma amiga e ex-funcionária do banco, a Vera Toyama, e perguntei se o departamento para o qual havia sido encaminhado a minha solicitação era o mais adequado. Anexei a síntese do projeto e o que eu estava pleiteando. Ela conversou com amigos e juntos decidiram apoiar financeiramente o projeto.

Enquanto isso professores e coordenadores do SENAC, em especial a Jessica Kobayashi Correa, Coordenadora de Desenvolvimento do Senac São Paulo – área de Turismo e Lazer articulava seus contatos no CONTURESP ( Conselho Estadual de Turismo) em busca de apoio para o transporte do grupo. Eu não tinha conhecimento deste esforço conjunto, somente uma semana antes da realização do piloto fui informada que a Dra. Regina Rocha de Souza Pinto, diretora executiva da  FRESP, Federação das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento do Estado de São Paulo e também conselheira do CONTURESP apoiava a ideia e iria patrocinar parte do projeto. Além disso, teria a cobertura jornalística da Mari Carlo Giro da MR Comunicação Estratégica que é a assessoria de imprensa da FRESP.

O Jefferson Adorno, proprietário da Fazenda Retiro Santo Antônio, havia me isentado das taxas de visitação. 

A Prefeitura de Espírito do Santo do Pinhal ofereceu o almoço para o grupo e apoiou o meu projeto. Foi encaminhado um Ofício assinado pelo Prefeito José Benedito de Oliveira convidando o Sr. José Roberto Tricoli, então Secretário de Turismo do Estado de São Paulo, o Sr. Vanilson Flickert, Diretor Técnico da Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo e a Dra. Lina Mara Rizzo Batistella, Secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo, para participarem do piloto do meu projeto que aconteceria na Fazenda Retiro Santo Antônio e na Cafeteria Loretto.    

Eu iria arcar com outras despesas e também com o lanche de bordo e chapéus de palha que iria presentear os participantes do piloto assim como os coordenadores, professores, apoiadores e empresas parceiras. No total comprei 60 chapéus. 

O Orion N. Santos, meu namorado, me apresentou para o Marcelo Varga, diretor de criação da NIVACOMUNICAÇÃO que prontamente atendeu o meu pedido para confeccionar as etiquetas que seriam coladas nos chapéus. A arte final e criação foi feita pela equipe da NIVACOMUNICAÇÃO. Eu pedi para que os nomes dos coordenadores, professores e apoiadores remetessem a ideia de selos, com picote no final. Assim o chapéu poderia ser entendido como uma mala de viagem na qual colocamos adesivos dos lugares que visitamos. O nome dos participantes teria que estar no local mais alto, escrito em espiral por ordem alfabética.
A ideia de colocar os grãos de café no centro e o fundo marrom foi do pessoal talentoso da NIVACOMUNICAÇÃO.
No dia 8 de junho de 2016, éramos 7 pessoas recortando e colando etiquetas nos chapéus no escritório da agência. Foi uma tarde inteira de muito trabalho. MUITO OBRIGADA a todos que me ajudaram e, em especial, ao Marcelo que me isentou de todos os custos de criação e produção das etiquetas!
Conversei com o meu amigo jornalista Daniel Nunes Gonçalves, escritor, especializado em reportagens sobre viagens, viajante que já rodou o mundo. Ele apresentou a pauta para alguns veículos de comunicação e a mesma foi aprovada pela UOL VIAGENS. O Daniel me apresentou para o premiado produtor de vídeo, Fernando Augusto Dias, e o convidou para participar do piloto do projeto. Juntos discutimos um roteiro para as filmagens.

Convidei pessoas amigas com deficiência visual e videntes para participarem do piloto do projeto. Eu queria que o grupo fosse formado por pessoas atuantes no mercado de trabalho e que gostassem de viajar. Era importante que as pessoas fossem formadoras de opinião e que no final do passeio respondessem um opinário a respeito dos acertos e as melhorias que deveriam ser implementadas tanto no passeio quanto na minha atuação. Pensei que seria importante também convidar duas pessoas que não me conhecessem e que pudessem validar ou não o passeio. 

Com o auxílio do Jefferson Adorno, marquei uma reunião na Fundação Dorina Nowill para cegos para apresentar o projeto e buscar apoio. O Jefferson participou da reunião assim como o Prof. David Farias Costa do SENAC que é cego e sempre esteve inteiramente a minha disposição durante as pesquisas e elaboração do piloto do projeto.
A Maria Regina M. Lopes Silva que trabalha há 40 anos na Fundação Dorina Nowill na área de Serviço de Apoio à Inclusão aceitou o convite e viajou acompanhada do marido Adeildo M. Silva, ambos são cegos.

Uma vez formado o Grupo, organizei um happy hour para explicar para as pessoas detalhes do projeto. Era importante que todos estivessem envolvidos com o passeio e o que estava sendo organizado.

Os participantes da primeira edição do piloto do projeto foram:

Adeildo Morais Silva, Alexandre Alves Toco,  Ana Lucia Benevides Pereira, Amélia Masako Hashimoto, Cristiana Mello Cerchiari, Dirce Maria Stefanuto Alcantara, Prof.Fábio Ortolano, Lothar Antenor Bazanella, Maria Regina Marques Lopes Silva,Margarete Marques Jardim, Mário Luiz Brancia, Maria Luiza Brancia, Orion Norberto Santos, Roselene de Souza Celoto, Vinícius Stefanuto Alcântara.

Mergulhei num ritmo de trabalho intenso, foram dias, semanas inteiras sem nenhuma folga. Eu me impus certos critérios de qualidade e queria que cada detalhe do passeio tivesse uma marca, que as pessoas percebessem que havia sido pensado e desenhado especialmente para elas. 
Precisava também pensar em todos os detalhes burocráticos como seguro de viagem, ficha médica, autorização de uso de nome, imagem e voz, preparar um kit de primeiros-socorros caso houvesse algum incidente, etc.  

Entrei em contato com uma empresa especializada em lanches de bordo e fui conhece-la pessoalmente para selecionar o que iria servir para os meus passageiros. Escolhi 5 opções de lanche e enviei para o Grupo de Participantes, assim cada pessoa poderia escolher o lanche de sua preferência. Comprei embalagens e juntamente com o lanche coloquei bolo de chocolate e água de côco. Comprei guardanapos cor rosa choque para as mulheres e amarelo ouro para os homens.

Balas de café, paçoca e biscoitos também foram comprados para serem servidos na viagem.

Para a nossa ida para a Fazenda Retiro Santo Antônio, pensei que seria uma boa ideia ter uma trilha sonora com músicas que remetessem a ideia do campo, as colheitas, música de raiz. Para a viagem de volta teríamos música popular brasileira. Então pedi para que todos enviassem suas sugestões de músicas e assim organizei a nossa trilha sonora.

A música Flor do Cafezal era a que melhor sintetizava o nosso passeio. Encaminhei a letra e a música para que aqueles que não a conhecessem pudessem aprender. A ideia era cantarmos a música em meio ao cafezal e assim homenagearmos o Jefferson e agradecer a oportunidade de participar da colheita do café.

Pedi se alguém poderia compor uma poesia ou trova que tivesse como o tema o café. Durante o mês que antecedeu o passeio a troca de e-mails foi constante assim como o envolvimento de todos. Havia muita alegria e expectativa e isso fazia com que eu me esforçasse ainda mais para não decepcionar as pessoas.

Solicitei para o meu Prof. Fábio Ortolano três livros editados pelo SENAC para presentear as pessoas que nos receberiam no destino e fui prontamente atendida. Os livros foram assinados por todos os participantes. 

Uma semana antes do passeio voltei para Espírito Santo do Pinhal com o meu namorado para mapear todos os detalhes da visita. Nos 206 km que separam São Paulo da Fazenda Retiro Santo Antônio, paramos em todos os restaurantes e lojas de conveniência para checar as condições dos banheiros caso fosse preciso fazer uma parada técnica fora do local previamente estipulado.

Na Cafeteria Loretto acertei alguns detalhes da visita com o Júnior. Na Fazenda percorremos todo o trajeto que faríamos com o grupo. O Jefferson fazia anotações de pequenos ajustes que precisavam ser feitos enquanto eu o bombardeava com perguntas que, pacientemente, ele respondia com explicações interessantíssimas e isso fazia com que eu não conseguisse evitar de fazer novas perguntas. Após quase três horas andando pelo cafezal e conhecendo o moinho de pedra, finalmente eu estava satisfeita com o roteiro que havíamos definido.

No dia 11 de junho de 2016, partimos ás 7h20 de uma manhã fria da Estação Vergueiro do Metrô para Espírito Santo do Pinhal. Uma viagem marcada pelo carinho e pela alegria de cada pessoa.

Eu sempre fui apaixonada por viagens, conheço 35 países, 18 estados brasileiros, morei em Londres e na África do Sul. Já viajei para quase todos os cantos do planeta sozinha e sempre aprendi muito pelos lugares por onde andei. Entretanto, naquele dia 11 de junho de 2016, sabia que faria uma viagem muito especial, a distância era bem curta, mas comigo levava uma esperança gigantesca de que NOVOS HORIZONTES seriam ampliados....
Foi um dia mágico, tudo transcorreu conforme planejado ou ainda melhor do que havíamos pensado.

Ao chegarmos na Fazenda Retiro Santo Antônio fomos recebidos pelo Jefferson com um delicioso café Kaynã, bolo de fubá, pães e doces.
Descrevi as informações que estavam no chapéu antes de entregar para as pessoas e irmos para o cafezal
Cristiana e Lúcia
Em seguida fomos para o cafezal, mas antes paramos na Capela da Fazenda para fazer os nossos pedidos para Santo Antônio.
Audy, Alexandre e Cristiana
Na trilha que nos levaria ao cafezal, antes de chegarmos ao local da colheita o Jefferson fez um desvio que não estava no nosso roteiro. 
Poucos metros dali recebemos um presente inesquecível: o Jefferson havia separado a muda de uma árvore para plantarmos em meio ao cafezal. Assim deixaríamos uma lembrança da nossa visita. Fiz um esforço tremendo para conter as lágrimas que eu procurava disfarçar com sorrisos.
Após o plantio da árvore começamos a fazer a colheita. Todos aprenderam a identificar os grãos de café verdes, maduros e secos pela textura. Experimentamos os grãos maduros, cor de cereja, que são adocicados e nos divertimos fazendo a colheita. 
Cristiana, Dirce e o filho Vinícius
Adeíldo, Audy, Prof. Fábio
Maria Luiza e Mário - irmãos gêmeos 
Quando terminamos, foi a nossa vez de surpreender e cantamos a Flor do Cafezal como mostra o vídeo abaixo que o Jefferson produziu.
https://www.youtube.com/watch?v=mNuRc2W47HE

Conhecemos também o terreiro onde é feita a secagem dos grãos.
No moinho de pedra, fundado em 1955, descascamos e debulhamos o milho não transgênico para a fabricação do fubá.  
   
Após o almoço visitamos a Cafeteria Loretto. Ao chegarmos a recepção calorosa do Júnior e mais surpresas. 
O Ricardo Flores havia preparado uma mesa com potinhos que mostravam os vários estágios dos grãos do café desde os grãos no galho até o pó e as cápsulas. Não havíamos combinado, mas achei excelente a ideia assim como as pessoas que puderam identificar e entender os estágios dos grãos pela textura.
O Diego Silva explicou todo o processo da torra e moagem dos grãos com muito carinho.
E como o dia estava mesmo repleto de surpresas, o jogador de futebol Danilo Silva que joga na Ucrânia e é o proprietário da Cafeteria Loretto foi nos receber. Ele estava passando férias no Brasil e além de nos receber com muita atenção e carisma, serviu o saboroso Café Loretto para várias pessoas do grupo e comentou sobre suas jogadas quando atuava no meu São Paulo, no Internacional e no Guarani.
Da esquerda para a direita: Mário, Roselena, Danilo Silva, Margarete, Audy e Orion.

Na viagem de volta, o Daniel entrevistou todas as pessoas, o Fernando filmava e nos intervalos muita cantoria e a certeza de um dia especial que iremos sempre lembrar com carinho.
Recebi inúmeros e-mails e mensagens carinhosas de todos os participantes do piloto do projeto. E também um acróstico feito pela Malu.

A INDA QUE
U MA IDÉIA
D E UM PROJETO EM 
M ENTE
A BRAÇOU COM O CORAÇÃO
R EUNIU ESFORÇOS E
A MIGOS A COMPARTILHAR!!!!

V IVENCIAMOS UMA
E XPERIÊNCIA MÁGICA
R ITIMANDO EM HARMÔNIA 
O NDAS DE DESCOBERTAS
N UVENS DE BOAS LEMBRANÇAS
E NTRE AMIGOS NOVOS E ANTIGOS
S ENTINDO O VALOR
E A GRATIDÃO DE UM DIA ESPECIAL!!!!

Maria Luiza Brancia

GRATIDÃO É O QUE EU SINTO POR TODOS VOCÊS!!! MUITO OBRIGADA POR ACREDITAREM NO MEU PROJETO, POR ESTAREM AO MEU LADO AMPLIANDO NOVOS HORIZONTES!!

A repercussão do piloto do projeto na mídia se deve ao esforço e apoio que recebi da Dra. Regina Rocha de Souza Pinto diretora executiva da FRESP assim como da jornalista Mari Carlo Giro da assessoria de imprensa da FRESP - MR Comunicação Estratégica.

15/06 – Portal FRESP
20/06 – Poços Net – Poços e Região
29/06 – Portal Fazenda Retiro Santo Antônio 
Mais um motivo porque nosso café Kaynã é tão sustentável.
www.retirosantoantonio.com.br
https://youtu.be/mNuRc2W47HE
Em 11/jun/2016 recebemos na Fazenda Retiro Santo Antônio, um grupo de pessoas com deficiência visual para uma experiência sensorial na colheita de nosso café...
08/07 – Portal Beer Art + mídias sociais do portal
08/07 – Site Mais um Gole (ligado ao portal acima)
08/07 – Portal Segs
08/07 – Fanpage Conselho Estadual de Turismo
Facebook
8/07 – Blog da ÁudioDescrição 
Essa foi repercutida no Facebook deles, e compartilhada por outras páginas – que parecem terem recebido muito bem a ideia. São mais de 2,5 mil seguidores
11/07 – Blog Pinguex
6/07 – Jornal O Tempo – Minas Gerais (Impresso e portal)  + Facebook, com  mais de 351 mil seguidores. 
18/07 – Blog Deficienteciente, repercutindo O Tempo
21/07 – Blog Turismo Adaptado
26/07 – Facebook Senac Aclimação SP
27/07 – Portal do Senac SP