quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Luciana de Paula, BI CAMPEÃ 10 km da Série Delta


A etapa México da Série Delta, que este ano homenageou também a Itália e Espanha, foi no domingo 2 de novembro de 2014. O percurso de 5 km e 10 km com muitas subidas e descidas íngremes contornava o Museu do Ipiranga, um dos símbolos da cidade de São Paulo, onde se aglomeravam cerca de 5.000 corredores.
Fiz a minha inscrição para correr 5 km e assim ter a chance de ver a chegada da minha amiga Luciana de Paula, corredora de elite, que iria correr os 10 km.
Eu não estava me sentindo bem no dia da corrida, tinha dormido apenas três horas e meia e as cólicas me torturavam. Logo após a largada percebi que teria que me esforçar muito para correr apenas 5 km. Cruzei a linha de chegada com o tempo de 28 minutos e 2 segundos.
Orion, Luciana, Audy, Ana Rosa e Suzi
Isabela, Audy, Luciana e Ana Rosa
Ana Rosa, Isabela, Audy, Luciana, Suzi
Reencontro com a Fernanda após mais de uma década. Trabalhamos juntas na Berlitz e na época não participávamos de corridas de rua. Uma agradável surpresa!
Assim que terminei a minha corrida pedi para um segurança me deixar passar pelo alambrado para que eu pudesse retornar para os 100 metros finais da prova e acompanhar a chegada da Luciana.
Não demorou muito para eu ouvir o ronco das motocicletas que abrem caminho para os corredores de elite. Ao longe vi que a Luciana liderava a prova com uma grande vantagem em relação a segunda colocada que não era possível sequer avistá-la. Comecei a gritar “vai Lu”, “ você vai ganhar”, “força” e corri junto com ela pela lateral a última subida em direção a linha de chegada. Sem dúvida foram os 100 metros mais rápidos da minha vida e só consegui correr com tanta velocidade porque estava movida pela emoção de chegar junto com a corredora que mais admiro.
Luciana, após cruzar a linha de chegada, sentindo muitas dores

A Luciana já subiu ao pódio 36 vezes. Cada vitória é única para um atleta e o troféu é a marca maior do esforço e reconhecimento por ter sido o melhor e estar lá no alto. 
Ao descer do pódio, a Luciana, em um gesto impar de demonstração de carinho e gratidão me presenteou com o troféu e as flores da sua vitória.
Sem dúvida o presente mais lindo que já recebi na minha vida e que tanto me emocionou. Não importa o que eu escrever para agradecer a Luciana, com certeza nunca será suficiente.
MUITO OBRIGADA LUCIANA!! Parabéns por você ser uma pessoa tão corajosa e guerreira.
Agradeço também toda a Equipe da Drogaria São Paulo pelo imenso apoio. Um agradecimento especial ao Sr. Carlinhos, que acreditou e aceitou o pedido da minha amiga Cláudia para que a Luciana fizesse parte da equipe vencedora da Drogaria São Paulo.
Conheci a Luciana em julho de 2013, na Eco Corrida.

Ana Rosa, Luciana, Audy e Orion

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A colheita de laranjas no Rio Grande do Sul


No dia 20 de setembro de 2014, voei de São Paulo para Porto Alegre, e da capital gaúcha peguei um ônibus com destino a Farroupilha. Havia visitado a cidade uma única vez quando era criança e na época viajava com os meus pais.
Nos arredores de Farroupilha vivem meus primos e suas famílias que cultivam uma grande plantação de laranjas. Sempre que eu falava ao telefone com o meu primo Clemente, costumava dizer que um dia iria conhecê-lo, porém, teria que ser no período da colheita das laranjas para eu poder ajudar. Ele falava que estava me esperando, mas eu percebia que ele se esforçava para acreditar na minha promessa, talvez porque lhe parecesse um pouco improvável eu viajar de São Paulo para o Rio Grande do Sul especialmente para conhecer meus parentes paternos e também colher laranjas.

Enfim, o que o Clemente não sabia era o quanto eu sou apaixonada pela natureza e que não descarto uma viagem por nada desse mundo.
Foi a primeira vez que viajei para conhecer alguns dos meus familiares. Confesso que foi uma experiência incrível conhecer os meus primos e suas famílias. Fui recebida de forma extremamente carinhosa e tão bem acolhida que passei cinco dias lá com a minha "nova família".
Meu primo Clemente
Rosa, esposa do Clemente
Bruno e  Décio, filhos do Clemente e da Rosa
No dia seguinte a minha chegada fui conhecer a plantação de laranjas. Eram milhares de laranjeiras que se espalhavam por fileiras intermináveis. Eram mais de 10.000 pés de laranjas e alguns tinham mais de 200 laranjas em uma única laranjeira. Havia laranjas gigantes que pesavam entre 600 e 800 gramas. 
Algumas laranjeiras estavam tão carregadas que os galhos não suportavam o peso de tantas frutas e tocavam o chão.
Eu estava fascinava com as pessoas queridas que tinha acabado de conhecer e também aguardava ansiosa o início da colheita.
Meus primos Ivonete e Carlinhos
Bernardo, filho da Ivonete e do Carlinhos
Gabi e Décio
Raquel, esposa do Vinícios, que aparece no alto do caminhão.

A primeira carga que foi vendida totalizava 670 caixas de laranjas. O processo de pesagem é bastante simples e é feito da seguinte maneira: o caminhão é pesado primeiramente com as caixas vazias e depois novamente com as caixas cheias de laranjas.

As caixas vazias foram entregues, no final da manhã da terça-feira-feira 23 setembro, e logo após o almoço começamos a colheita.  A Rosa, esposa do Clemente, me emprestou roupas confortáveis, botas e um par de luvas que são usadas para a colheita de laranjas. 
Ao chegar na plantação a tarde estava ensolarada, com temperatura amena e um ventinho suave balançava o vale com suas tantas laranjeiras.
Os meus primos me ensinaram como colher as laranjas e também me alertaram que eu devia descartar, caso encontrasse alguma laranja com a casca grossa ou pequena, o que era muito raro. 
Eu não tinha a menor ideia de como seria feita a colheita manual de mais de 200 toneladas de laranjas, mas logo percebi que era bem mais fácil do que eu poderia imaginar.
Naquela tarde havia 7 pessoas trabalhando, incluindo eu com a minha falta de habilidade para a colheita e ainda uma aprendiz. Trabalhamos  três horas e meia e foram colhidas  cerca de 300 caixas de laranjas. Todos colhiam juntos as laranjas de um mesmo pé, e em menos de cinco minutos eram apanhadas todas as laranjas. Um trabalho em equipe sincronizado e prazeroso. 
Conversávamos sobre assuntos diversos durante a colheita e, de vez em quando, silenciávamos para ouvir o canto dos pássaros.
Nos galhos de muitas laranjeiras havia flores que exalavam um perfume delicado. Aquele aroma cítrico me envolvia de tal forma que eu deixava de colher as laranjas por alguns instantes e ficava olhando para o vale com suas montanhas ao longe. O pensamento passeava por entre as laranjeiras e me deixava levar pela alegria que sentia por estar ali.
Ao longo da minha carreira profissional já atuei em projetos sofisticados e complexos em diversas áreas. Enquanto eu colhia as laranjas vieram á baila muitas das funções que desempenhei, principalmente, no mundo diplomático. Pensei que se  tivesse que listar, por ordem de importância, minhas experiências profissionais, é muito provável que a colheita de laranjas encabeçasse a lista.
Eu adorava ir para a roça com os meus primos sentada numa carroceria que traçava um ziguezague por uma estradinha estreita.
Trabalhamos duas tardes e parte de uma manhã, para ser mais precisa, foram 10 horas de trabalho para colher 670 caixas de laranjas que pesaram 14.970 quilos.
Todas as caixas cheias de laranjas foram armazenadas em um galpão antes de serem carregadas no caminhão.
O caminhão partiu levando as laranjas e o acompanhei com olhar. Naquele momento eu tinha a satisfação de ter contribuído com a colheita de muitas laranjas que estavam sendo transportadas. Sabia que a minha participação tinha sido singela, mas ainda assim não conseguia esconder o orgulho do dever cumprido. Era o início da tarde de quinta-feira, 25 de setembro, no final do dia os meus pais iriam chegar em Farroupilha para seguirmos viagem juntos. 

Meus pais e o Clemente
Eu estava muito feliz por ter conhecido os meus primos e seu estilo de vida, por ter participado da colheita de laranjas, mas era hora de ir embora. Quando me despedi de todos o coração estava apertado e  os olhos marejados... eu queria ficar...